Empirismo, Racionalismo e Construtivismo apresentados por meio da prática.

A robótica educacional como disparadora.

Por Cristiane Samária e Ana Maria Di Grado Hessel

As aulas tradicionais as quais Paulo Freire intitulou de “educação bancária”, ou seja, o professor faz depósitos, e os alunos recebem passivamente todo conteúdo, memorizam e repetem, não têm mais lugar em nossa contemporaneidade.

Rui Fava (2018), em seu livro: “Trabalho, Educação e Inteligência Artificial: a era do indivíduo versátil”, assevera que as escolas deverão mudar, e, que, de acordo com o futurista norte-americano Thomas Frey, mais de 50% das faculdades que disponibilizam metodologias tradicionais irão à falência até 2030. E talvez muito antes disso.

É importante mencionar, no entanto, que as metodologias ativas inovam em relação à cultura do ensino tradicional. E é justamente neste contexto que na aula de pós-graduação, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Inteligência e Design Digital (TIDD), na disciplina Desenvolvimento das Teorias e Práticas da Aprendizagem, foi apresentada uma proposta de aprender as teorias: empirista, racionalista e construtivista, por intermédio da prática da robótica educacional.

A robótica educacional é uma das vertentes do movimento maker, que tem a cultura maker do faça você mesmo, em inglês Do It Yourself (DIY). São os fazedores, que constroem, consertam, fabricam coisas de seu interesse.

Na educação, a robótica educacional encontrou terreno fértil, e inserida no movimento maker, coloca a exploração do tinkering,o qual não há tradução única no português, configura-se como exploração e improviso. Além disso, proporciona uma aprendizagem significativa e fluência tecnológica, de uma forma lúdica.

O kit LuccaEduca, é um kit de robótica educacional sem programação, foi escolhido em razão de ser plugand play, e por seu uso ser muito intuitivo. E, além disso, por não exigir nenhum conhecimento prévio.

Anteriormente à aula prática, solicitamos para que os alunos realizassem uma leitura prévia, como base para essas teorias: “Educação a Distância: uma articulação entre a teoria e a prática” de Angela da Silva Giusta e Iara Melo Franco, e o capítulo sobre construtivismo do livro: “A robótica para uso educacional”, de Flavio Rodrigues Campos.

Para que a aprendizagem seja realizada nas abordagens das teorias mencionadas, os monitores foram orientados para interferir o mínimo possível. E que tal mediação deveria ser realizada por meio de perguntas, ao invés de fornecer soluções.

O desdobramento da aula foi de uma maneira surpreendente. Os alunos conseguiram identificar todas as teorias estudadas. E, além disso, entenderam que as teorias imbricam-se.

O construtivismo pode ser evidenciado na relação com o erro. Para alguns alunos, os quais não tinham nenhum conhecimento sobre robótica, foi um momento de assimilação. Para outros, de adaptação e acomodação do conhecimento.

No final da atividade, propomos um desafio o qual os alunos deveriam juntar vários circuitos e montar uma casa com três cômodos e um ventilador. Os alunos realizaram a proposta e ultrapassaram, muito além, os desafios.

Além do mais, entenderam conceitos de eletrônica, como negativo e positivo, leds, circuitos eletrônicos, dentre outros, de uma forma divertida.

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Bibliografia:

FRANCO, I. M., GIUSTA, A. S. Concepções do processo ensino/aprendizagem. In: Educação a Distância. Uma articulação entre a teoria e a prática. Minas Gerais: PUCMINAS, 2003.

CAMPOS, F. R. A robótica para uso educacional. São Paulo: Senac, 2019.

FAVA, R. Trabalho, Educação e Inteligência Artificial: a era do indivíduo versátil. Rio Grande do Sul: Penso Editora, 2018.

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